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05 de Janeiro de 2013

Vinho Tinto no verão, será possível?

O verão está aí, hora de tirar o biquíni e a sunga da gaveta para aproveitar a cervejinha gelada ou a caipirinha à beira do mar ou da piscina e esquecer o vinho tinto na adega, certo? Errado. Além dos espumantes e do vinho branco, que são bebidas frescas servidas geladas, o vinho tinto também reclama o seu lugar ao sol, ainda que a temperatura chegue às alturas.
 
O consumo do vinho tinto durante o verão varia entre os países, de acordo com os hábitos culturais de cada região. Na Europa, por exemplo, o vinho tinto é consumido durante as quatro estações do ano – no Mediterrâneo, ao sul do continente, a temperatura durante o verão alcança os mesmos números atingidos pelo calor tropical. Aqui no Brasil, onde o consumo de vinhos é insipiente e os tintos aparecem em maior número do que os brancos nos supermercados e casas especializadas, basta o termômetro ultrapassar os 30°C para que as garrafas fiquem deixadas nas prateleiras.
 
O segredo para esquecer de vez a lareira  e o fondue, amigos quase inseparáveis da bebida no inverno, é a escolha do vinho tinto ideal para acompanhar você durante o verão. É preciso prestar atenção nos rótulos e optar pelos tintos leves e frutados, que são mais frescos, e que tenham menor teor alcoólico. A preferência deve ser dada aos vinhos jovens, prontos para o consumo entre dois e quatro anos após a safra. Normalmente, esses vinhos mais leves são elaborados a partir de uvas de pele mais fina, como, por exemplo, a Pinot Noir, a Dolceto e algumas Merlot. A espessura da casca da uva depende das condições climáticas da região em que é cultivada e, se o vinhedo recebe um sol muito intenso e direto, ela tende a engrossar. Os vinhos tintos provenientes de uvas que tenham a casca mais grossa são mais tânicos e precisam passar por um período em barris de madeira para serem amaciados, perdendo, com isso, um pouco do aroma frutado e da leveza que buscamos em um vinho tinto de verão.
 
Redondos na textura, esses vinhos são apropriados para ser bebidos quase gelados e podem ser servidos a 14°C, ao contrário dos tintos encorpados e taninosos, normalmente servidos levemente resfriados. Não se deve, porém, colocar gelo dentro da taça, uma vez que a presença de água altera a essência do vinho, modificando o seu sabor. Bióloga, mestra em Educação para a Saúde e professora de cursos de vinhos desde 1991, Ana Maria Schall Gazzola dá a dica de como se deve servir a bebida: “Deve-se resfriar o vinho pelo menos uma hora antes de ser consumido, na geladeira, ou 15 a 20 minutos no freezer, ou ainda uns 5 a 7 minutos em um balde com gelo e água – isso para os consumidores mais apressados e de última hora. Para quem planeja, o ideal é colocar o vinho na porta da geladeira de manhã e abrir a garrafa 30 minutos antes de servir, mantendo-a com um rapid ice envolvido para que não volte a esquentar. No verão, a temperatura ambiente faz subir quase imediatamente uns dois graus a temperatura da bebida e, por isso, não devemos colocar muita quantidade na taça”.
 
Os tintos de verão deixam de ser um mito e se tornam indispensáveis quando o que queremos é acompanhar bem as refeições, especialmente embutidos, presuntos, carnes frias como o rosbife e queijos poucos gordurosos, saladas sem vinagre, legumes e carnes grelhados, que não deixam de fazer parte do nosso cardápio durante a estação mais quente do ano.
 
Revista Verdemar, nº 21, ano 2010, pp. 35 e 36.
Texto de Isadora Troncoso
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