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02 de Outubro de 2014

Uma safra para degustar de olhos fechados?

As edições da Avaliação Nacional de Vinhos se notabilizam por um detalhe técnico muito atraente: todas são às cegas. Isso significa que os degustadores somente descobrem as vinícolas que produziram as bebidas no final da programação. Neste ano, a última amostra dos brancos foi realmente apresentada às cegas. Os mais de 850 participantes tiveram os olhos vendados por um lenço negro (foto) em uma ação inédita feita pelo Spa do Vinho, o luxuoso hotel encravado no Vale dos Vinhedos. Ao fundo, o sommelier Vinícius Santiago narrava um texto que levava as pessoas a descobrir outras sensações além das já conhecidas como a gustativa ou olfativa. A amostra era um Moscato Giallo, da Vinícola Giacomin, de Caxias do Sul (RS). A ação foi muito parecida com uma das cenas da minissérie “Amores Roubados”, exibida pela Rede Globo em janeiro deste ano onde Cauã Reymond vivia o papel de um sommelier (leia mais detalhes aqui). 

Porém, os rótulos que, na sua maioria, devem chegar ao mercado até o final do ano (no caso dos brancos e tintos jovens) não entusiasmaram tanto quanto a ação inédita vivida pelos degustadores na ação protagonizada pelo Spa do Vinho. As notas de seleção oscilaram entre 87 e 89 pontos e nenhuma delas alcançou 90 pontos. No ano passado, por exemplo, a média da seleção ficou entre 88 e 92 pontos. “A explicação é que o excesso de chuvas e a baixa insolação, na maioria das regiões viníferas, resultaram em um quociente de maturação abaixo do normal. Uva que não amadurece bem, não resulta em vinho excepcional. Os vinhos todos, brancos e tintos, registraram baixo teor alcoólico, outro indicador de qualidade. Haverá vinho bom, sim, mas não excepcional”, explicou didaticamente o jornalista Danilo Ucha, um dos profundos conhecedores do setor na região sul, em sua coluna no Jornal do Comércio da última segunda-feira (29). Na visão de Ucha, também causou surpresa a ausência de vinhos da Campanha, do Nordeste e do Paraná. “Chamou a atenção o grande número de pequenas e desconhecidas vinícolas entre os vencedores”, relatou. 

As apostas de Cepas & Cifras

Entre os 16 vinhos avaliados como os mais representativos da safra 2014, Cepas & Cifras aposta em pelo menos cinco. O vinho base espumante feito com as castas Chardonnay, Pinot Noir eRiesling Itálico, da Chandon, é o primeiro deles. O Riesling Itálico, da Salton, também estava muito bom. Outro rótulo que merece destaque é Cabernet Franc, da vinícola Góes, de São Roque (SP). No atual estágio que está foi difícil de beber pela complexidade apresentada no nariz e na boca. A bebida ainda se encontra em tanques, mas se passar por barricas deve evoluir bastante. Na minha visão, o Merlot Perini está praticamente pronto. A vinícola, aliás, prometeu “agitar o mercado” no lançamento do rótulo. O Cabernet Sauvignon, da Cooperativa Aurora, é minha quinta aposta.

E, por fim, a uva de origem italiana Ancellotta, da Don Guerino, deverá ser um ótimo blend futuramente já que é uma casta usada para esse fim. “Quem sabe uns 10%, 12% ou 15% dessa Ancellotta transforme um vinho em uma obra de arte”, apostou nada menos que Galvão Bueno, o mais conhecido locutor esportivo brasileiro e sócio da Miolo. Agora nos resta apenas aguardar – de olhos bem abertos, claro.

Fonte: Terra (Amanhã)

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