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18 de Maio de 2015

Pequenas que pensam grande

Por trás de gigantes como a Nespresso existem empreendedores inovadores que sonham em se tornar as multinacionais do futuro. Conheça algumas histórias desse time

No subúrbio de Maceió, no bairro de Fernão Velho, o engenheiro agrônomo Mário Calheiros de Lima descobriu em seu quintal um produto que, segundo ele, tem tudo para revolucionar a medicina: a própolis vermelha de Alagoas. Em pesquisas realizadas por sua empresa, a Apícola Fernão Velho, em parceria com professores das universidades de Alagoas e Campinas, no interior de São Paulo, a substância mostrou propriedades medicinais superiores às de suas similares, produzidas pelas abelhas de outras regiões do País. “Ela é a única que contém quatro isoflavonóides”, afirma Lima.

Com essa propriedade, o produto, que já funciona como um antibiótico natural, pode ser usado na prevenção e tratamento do câncer – a validade disso ainda depende de estudos. A partir dessa descoberta, a pequena empresa, com faturamento de R$ 500 mil por ano, está se estruturando para se tornar um laboratório farmacêutico. A ideia é fabricar o produto em cápsulas e fornecer matéria prima para a indústria de medicamentos. “Esperamos em cinco anos ter os registros necessários para transformar a apícola em uma farmoquímica”, diz o engenheiro.

Histórias como a do apicultor de Maceió levaram o Sebrae, em parceria com o Movimento Brasil Competitivo e a Fundação Nacional de Qualidade (FNQ), a conceder, anualmente, o MPE Brasil (Prêmio de Competitividade pra Micro e Pequenas Empresas). “Essas empresas buscam a excelência na gestão, o que faz diferença para sua longevidade”, diz Luiz Barretto, presidente do Sebrae Nacional. “Elas podem se tornar grandes companhias.” Neste ano, dez pequenos negócios foram agraciados com a premiação. Assim como a Fernão Velho, todas as vencedoras mostram que podem ser o embrião de grandes corporações, até mesmo multinacionais.

Essa suposição encontra, inclusive, sustentação no passado de alguns dos maiores grupos empresariais do Brasil. Em 1901, por exemplo, a cidade de Porto Alegre viu nascer a Fábrica de Pregos Pontas de Paris. Era o início do que viria a ser a Gerdau, uma das maiores siderúrgicas do mundo. Em São Paulo, em 1940, um imigrante austro-húngaro de nome Hans Arnstein, comprava uma fábrica de motores elétricos. Esse seria o começo de uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do País, a Arno. Todos esses empreendedores iniciaram a partir de um pequeno negócio, mas sempre de olho em oportunidades do mercado e na demanda dos consumidores.

No Sudeste do País, mais exatamente em Patrocínio, no Cerrado mineiro, a Fazenda São Paulo mostra que, mesmo sendo uma pequena produtora de café arábica, pode conquistar um lugar entre as gigantes do setor de alimentos. Há dois anos, a quarta geração da família Montanari, dona da empresa, investiu em mudanças na produção. Desde o ano passado, a São Paulo é fornecedora de café para as cápsulas do Nespresso, da suíça Nestlé, e para a rede de cafeterias americana Starbucks. “A ideia era sair do mercado de commodities por ser menos suscetível às oscilações”, diz Marcelo Montanari, que junto com o seu irmão Roger comanda uma das fazendas da família.

Atualmente 90% do café produzido pela Fazenda São Paulo, que faturou R$ 1,2 milhão, em 2014, é destinado à exportação. Quem também espera uma mudança de hábito dos consumidores é a Território do Vinho, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Vencedora do prêmio da categoria Turismo, a empresa é um misto de adega de vinhos com restaurante gourmet. Logo no início, enfrentou uma barreira cultural. Segundo Diogo Wendling, dono da Território, não havia oferta de vinho na cidade, cujos habitantes costumam beber o tererê, nome dado ao chimarrão gelado. “Tivemos de buscar uma maneira de tornar a degustação mais informal”, diz Wendling.

A solução foi importar máquinas dos Estados Unidos que permitem armazenar o vinho de forma que possa ser vendido em taças, sem desperdiçar a garrafa após aberta. Segundo o empreendedor, a principal dificuldade é que o consumidor não pagava por uma garrafa. A ideia de fracionar acabou fazendo o negócio dar um salto. Hoje, o vinho é pedido em 70% das mesas. “São 500 rótulos na casa e um sommelier no local que ajuda o cliente escolher a melhor opção”, diz Wendling. Com faturamento de R$ 3,2 milhões no ano passado, o plano agora é transformar o negócio em uma franquia. A previsão é de que até 2025 sejam abertas 32 novas lojas, a primeira delas em Cuiabá, a capital do Mato Grosso.

IstoÉ Dinheiro

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